O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou denúncia criminal contra 25 investigados por envolvimento em uma organização criminosa acusada de praticar uma série de crimes graves na região do distrito de Nova Mutum Paraná, em Porto Velho. A acusação foi oferecida na última sexta-feira (23) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Godos, deflagrada em novembro de 2025.
Segundo o MPRO, o grupo atuava de forma estruturada e permanente, com divisão de funções entre liderança, segurança, setor financeiro, apoio operacional e logística. A investigação aponta que a organização tinha como objetivo controlar áreas de terra por meio de violência e intimidação, praticando crimes como extorsão, esbulho possessório, roubos, furtos, incêndios, homicídios, tortura, ameaças e ilícitos ambientais, além de posse e porte ilegal de armas de fogo.
Na denúncia, o Ministério Público atribui aos investigados crimes de organização criminosa armada, com agravantes pela participação de adolescentes e pela manutenção de vínculos com outra facção criminosa independente. Também são imputados delitos previstos no Código Penal, como extorsão qualificada, roubo majorado, dano qualificado e incêndio, além de infrações ambientais previstas na Lei de Crimes Ambientais.
Pedidos de indenização e responsabilização coletiva
Além das acusações penais, o MPRO requereu à Justiça a fixação de valores mínimos de indenização às vítimas. O pedido soma mais de R$ 1,95 bilhão, sendo cerca de R$ 1,8 bilhão por danos ambientais, mais de R$ 51 milhões por danos materiais e R$ 10 milhões por danos morais coletivos. De acordo com o órgão, os valores refletem a extensão dos prejuízos ambientais, patrimoniais e sociais causados pelas ações do grupo e deverão ser arcados solidariamente pelos denunciados.
A denúncia contempla, neste primeiro momento, apenas os investigados que estão presos em decorrência da Operação Godos. Conforme o MPRO, essa estratégia busca garantir maior celeridade à tramitação processual, enquanto denúncias específicas contra investigados soltos ou foragidos serão apresentadas separadamente.
Trâmite judicial
Com o oferecimento da denúncia, o processo entra agora na fase judicial. O caso será analisado pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Porto Velho, responsável por decidir sobre o recebimento da acusação. Caso seja aceita, os denunciados serão citados para apresentar resposta à acusação, seguindo-se a fase de instrução processual até o julgamento do mérito.
O Ministério Público de Rondônia informou que as investigações do Gaeco continuam em andamento e reforçou a atuação institucional no enfrentamento ao crime organizado, com foco na proteção da ordem jurídica, do meio ambiente e da sociedade rondoniense.




