O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica, um dado que vai além da economia e entra diretamente no campo da política. Com 5,1% de desocupação e mais de 103 milhões de pessoas trabalhando, o país vive um momento que desafia narrativas e reposiciona o debate público.
Os números da Pnad Contínua, do IBGE, não surgiram por acaso. Eles refletem escolhas políticas claras, baseadas na valorização do trabalho, no fortalecimento do Estado e na retomada de políticas públicas que haviam sido desmontadas nos anos anteriores. Trata-se de um fato histórico que precisa ser interpretado.
A queda do desemprego não foi fruto da desistência do trabalhador ou do aumento da informalidade extrema. Pelo contrário: foi sustentada pela expansão real da ocupação, especialmente nos setores de serviços, comércio e administração pública, áreas diretamente ligadas à ação estatal.
Também é emblemático o crescimento do emprego formal. O Brasil alcançou quase 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada, ao mesmo tempo em que reduziu o contingente de pessoas sem vínculo formal. Isso desmonta o argumento conservador de que direitos trabalhistas “atrapalham” a economia.
A renda acompanhou esse movimento. O rendimento médio subiu 5,7% e a massa salarial atingiu o maior patamar da história. A valorização do salário mínimo, frequentemente atacada por setores liberais, mostrou-se essencial para distribuir renda e dinamizar a economia.
Em Rondônia, esses dados ganham peso eleitoral. O estado convive com discursos conservadores que defendem menos Estado, cortes sociais e flexibilização de direitos, mesmo diante de evidências de que esse caminho aprofunda desigualdades e precariza o trabalho.
A disputa pelo governo estadual passa, inevitavelmente, pela escolha entre projetos. De um lado, o campo progressista, que defende desenvolvimento com inclusão, emprego digno e políticas públicas fortes. Do outro, um conservadorismo que repete fórmulas fracassadas.
É preciso reconhecer que a informalidade ainda é um desafio estrutural, mas enfrentá-la exige mais proteção social e qualificação, não o abandono do trabalhador à própria sorte sob o rótulo enganoso do “empreendedorismo”.
Os dados do IBGE desmontam mitos e reforçam que crescimento econômico não é incompatível com justiça social. Pelo contrário: um depende do outro, quando há vontade política.
Às vésperas de novas disputas eleitorais em Rondônia, o eleitor precisa decidir se quer um estado alinhado a esse Brasil que gera emprego e renda ou preso a um discurso conservador que ignora a realidade. A história recente já deu sua resposta.
Por Josimar Santos*
*O autor é editor do Rondônia Press, jornalista e acadêmico de Ciência Política




