Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência evidencia a contribuição feminina nas áreas científicas e, em Rondônia, destaca o trabalho de pesquisadoras que atuam em saúde, meio ambiente, inovação e desenvolvimento sustentável com apoio de instituições estaduais e federais.
Criada em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data busca ampliar a participação de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), além de estimular o interesse de meninas pela pesquisa científica desde a educação básica.
No contexto amazônico, a presença feminina na ciência é considerada estratégica para a compreensão das dinâmicas socioambientais, da biodiversidade e das populações tradicionais. Em Rondônia, o fortalecimento da produção científica conta com o apoio da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero), que fomenta projetos em diferentes áreas do conhecimento.
Referências históricas na Amazônia
Entre os nomes de destaque está o da naturalista alemã Emilie Snethlage (1868–1929), reconhecida por pesquisas pioneiras sobre a avifauna amazônica no início do século XX. Autora do “Catálogo das Aves Amazônicas”, publicado em 1914, foi a primeira mulher a ocupar cargo público em uma instituição de pesquisa no Brasil. Seu último campo de estudos foi a região do rio Madeira, em Rondônia, onde faleceu. Em Porto Velho, sua memória é preservada no Memorial Rondon.
Outra referência é a professora Yêda Pinheiro Bozarcov, reconhecida pela contribuição à preservação da memória histórica e cultural de Rondônia. Doutora honoris causa pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), teve atuação voltada à valorização da identidade regional e ao fortalecimento das políticas culturais.
Pesquisadoras em atuação no estado
Atualmente, diversas cientistas desenvolvem pesquisas estratégicas com impacto direto na realidade rondoniense. Entre elas:
- Dra. Mayra Araguaia Pereira Figueiredo (Unir) – atua em doenças parasitárias transmitidas por artrópodes, ictioparasitologia e sistemas de produção no bioma amazônico.
- Dra. Najla Benevides Matos (Fiocruz Rondônia) – pesquisa infecções sexualmente transmissíveis no pré-natal e doenças infecciosas na Amazônia.
- Dra. Soraya dos Santos Pereira (Fiocruz Rondônia) – trabalha com bioprospecção e desenvolvimento de bioprocessos e bioprodutos.
- Dra. Geisa Paulino Caprini Evaristo (Fiocruz Rondônia) – atua em bioquímica, biotecnologia e estudos em proteoma e metaboloma.
- Dra. Lúcia Helena de Oliveira Wadt (Embrapa Rondônia) – pesquisa manejo e produção de produtos florestais não-madeireiros, como castanha-do-brasil e copaíba.
Reconhecimento por meio do Prêmio Fapero CT&I
O protagonismo feminino também se reflete em premiações científicas. No Prêmio Fapero CT&I, pesquisadoras como Dra. Juliana Pavan Zuliani (Fiocruz Rondônia), Dra. Debora Francielly de Oliveira (Unir) e Dra. Carolina Rodrigues da Costa Doria (Unir) figuram entre as premiadas em diferentes categorias nos últimos anos.
Outros destaques incluem pesquisadoras da Embrapa, Fiocruz, IFRO e Unir, reconhecidas por contribuições nas áreas de saúde pública, virologia molecular, recursos pesqueiros, comunicação científica e sustentabilidade na Amazônia.
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reforça a importância da equidade de gênero na produção do conhecimento e evidencia o papel das pesquisadoras no avanço científico e no desenvolvimento de Rondônia.




