A nota divulgada pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da SEMED, não resiste a uma análise séria e honesta dos fatos. Trata-se de um texto autoelogioso, desconectado da realidade vivida por milhares de professores e técnicos educacionais da rede municipal, além de revelar a omissão histórica e conveniente dos sindicatos SINTERO, SINDEPROF e SINPROF na defesa dos reais anseios da categoria.
É inaceitável que a administração municipal tente desqualificar a mobilização chamando-a de “grupo específico de professores”. O movimento é legítimo, amplo e representa a indignação de mais de 3 mil profissionais da educação, que se sentiram traídos por uma gestão que prometeu diálogo, sensibilidade e valorização, mas entregou autoritarismo, insensibilidade e intimidação política.
O prefeito Léo Moraes, eleito em 2024 com expressivo apoio da categoria, apunhalou os professores pelas costas. Prometeu diálogo, mas se mostrou incapaz de lidar com o antagonismo, ignorou sucessivos alertas, assistiu passivamente a três levantes legítimos da categoria e só se manifestou após uma greve de fome extrema de 72 horas, com uma nota inócua, fria e sem qualquer empatia humana ou compromisso político real.
A tentativa de vender como “avanço histórico” a implementação do piso nacional é, no mínimo, desonesta. O piso é lei federal, não favor político. Pior: o pagamento do retroativo veio acompanhado de descontos abusivos que, em muitos casos, ultrapassaram 70%, configurando confisco salarial. Para agravar ainda mais, um acordo administrativo vergonhoso beneficiou prioritariamente um escritório de advocacia, que abocanhou 18% dos valores, enquanto os professores ficaram com migalhas.
Não houve pagamento de abono, tampouco rateio do FUNDEB, direito líquido e certo dos trabalhadores da educação. A justificativa de que o tema estaria “encerrado” no âmbito institucional apenas escancara o papel lamentável dos sindicatos, que se omitiram, se calaram e se curvaram à administração, abandonando a base que deveriam representar.
A chamada “valorização estrutural da carreira” não se sustenta diante da realidade: professores endividados, desmotivados, adoecidos e desrespeitados. Premiações pontuais, discursos tecnocráticos e propaganda institucional não substituem salário digno, transparência, respeito e justiça.
Diante desse cenário, o movimento não recua. Pelo contrário, segue firme, organizado e fortalecido. Com o apoio da ampla maioria dos professores e técnicos educacionais, será exigida greve geral no início do ano letivo de 2026, caso a Prefeitura continue ignorando as pautas legítimas da categoria.
Além disso, informamos que serão protocoladas denúncias nos órgãos de controle e fiscalização (Ministério Público, Tribunal de Contas e demais instâncias competentes) sobre contratos fraudulentos na SEMED, má gestão de recursos e possível desvio de verbas da educação.
A luta continua.
Não aceitaremos intimidação, maquiagem de dados nem acordos feitos à revelia da base.
Educação não é gasto, é direito. Professor não é inimigo, é pilar da sociedade.
Porto Velho (RO), 11 de Janeiro de 2025.




