Representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) apresentaram à Prefeitura de Porto Velho o projeto do Programa Cisterna Sanear Amazônia, iniciativa que já está em execução no município com foco no acesso à água potável e ao saneamento básico em comunidades ribeirinhas.
O programa é desenvolvido com recursos federais e utiliza o Sistema Pluvial Multiuso Autônomo, tecnologia social voltada a áreas de várzea. A estrutura permite captar, tratar e armazenar água da chuva para uso doméstico, beneficiando famílias de baixa renda que vivem em regiões de difícil acesso.
O sistema é composto por calhas, dispositivo de descarte da primeira água da chuva, reservatórios de mil e cinco mil litros, filtro de barro e instalação sanitária adaptada ao período de cheias, garantindo fornecimento de água de qualidade ao longo do ano.
Sistema funciona em módulos integrados
O modelo é dividido em dois módulos. O domiciliar capta a água do telhado, realiza o tratamento e armazena em reservatório individual de mil litros, abastecendo banheiro, chuveiro e pias. Já o módulo comunitário utiliza fonte complementar, com reservatórios de cinco mil litros, tratamento simplificado e distribuição por rede, especialmente em períodos de estiagem.
O projeto também inclui capacitação das comunidades para gestão, uso e manutenção das estruturas. Em algumas localidades, está sendo implantado sistema de energia solar fotovoltaica para abastecer as unidades, substituindo a energia convencional. As instalações ocorrem, atualmente, nas comunidades de Betel, Paulo Leal e Belmont.
Abrangência e parcerias
As tecnologias sociais implementadas pela ADAI, em parceria com o MAB, somam 398 unidades distribuídas em 13 comunidades, entre elas Betel, Brasileira, Cavalcante, Mutuns e São Sebastião. O Instituto Vitória Régia (IVR) é responsável por outras 402 unidades que serão instaladas em nove comunidades, como Aliança, Nova Aliança e São Carlos.
Ao todo, aproximadamente 800 famílias, em 24 comunidades de Porto Velho, devem ser contempladas pelo programa. A iniciativa atua de forma articulada com o município para evitar sobreposição de ações e ampliar o alcance das políticas públicas.
O Sanear Amazônia é coordenado pelo Memorial Chico Mendes, em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), por meio do Programa Cisternas do Novo PAC e do Fomento Rural. Também participam entidades executoras como Instituto Desenvolver (ID), Instituto Vitória Régia (IVR), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Associação de Mulheres do Baixo Cajari (AMBAC) e Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI).







