Uma visita técnica a uma indústria frigorífica em Brasiléia (AC), realizada no dia 9 de março, reuniu produtores rurais, representantes institucionais e integrantes do setor público e financeiro para discutir novas oportunidades para a cadeia produtiva da suinocultura em Rondônia. A agenda teve como objetivo avaliar possibilidades de produção integrada com a indústria acreana e ampliar o mercado para produtores do estado.
A atividade foi coordenada pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (Emater-RO), em parceria com a Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Durante a visita, o representante da agroindústria, Luiz Fernando, apresentou a estrutura da empresa, que inclui fábrica de ração e unidade de matrizes de suínos. O frigorífico possui certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e atualmente exporta cortes e embutidos suínos para cinco países, incluindo a China, além de buscar novos mercados, como Japão e Chile, que estão em processo de auditoria.
Segundo o governador Marcos Rocha, iniciativas desse tipo demonstram o potencial de crescimento das cadeias produtivas no estado. A proposta é ampliar oportunidades de renda para produtores e fortalecer a economia regional por meio da organização produtiva e do apoio técnico.
Potencial de integração com a indústria
A agroindústria visitada possui cerca de duas mil matrizes, fornecendo leitões para produtores realizarem a fase de terminação, etapa final da criação antes do abate. A empresa também produz cerca de 90% da ração utilizada, a partir de insumos como milho, soja e farinha de carne.
Atualmente, o frigorífico realiza o abate diário de aproximadamente 460 suínos, sendo 360 provenientes do Acre e 100 do Mato Grosso. No entanto, a capacidade instalada é de 600 animais por turno, com perspectiva de ampliação para dois turnos e até 1.200 abates por dia.
A estrutura existente abre possibilidade para que produtores de Rondônia também passem a fornecer animais, especialmente devido à proximidade logística com algumas regiões do estado.
Região da Ponta do Abunã é estratégica
De acordo com o presidente da Emater-RO, Luiz Cláudio, a região da Ponta do Abunã surge como área estratégica para iniciar a integração produtiva, principalmente pela proximidade com Brasiléia, o que pode reduzir custos logísticos.
Ele destacou ainda que municípios como Nova Mamoré já possuem produção relevante de milho e soja, fatores que contribuem para a viabilidade da suinocultura, especialmente na produção de ração.
A proposta prevê que os produtores invistam na estrutura das granjas, contando com apoio técnico da Emater, que também pretende designar um profissional para acompanhar o desenvolvimento da atividade na região e orientar os produtores interessados.
Financiamento e retorno econômico
Segundo informações apresentadas durante a visita, produtores acreanos que participam do modelo integrado obtêm retorno líquido médio de cerca de R$ 100 por animal, indicador considerado atrativo para expansão da atividade.
Há também perspectiva de financiamento por meio do Banco da Amazônia (Basa), o que pode facilitar a implantação das granjas e ampliar a adesão de produtores ao projeto.
Outro ponto debatido foi a necessidade de redução da alíquota de ICMS na comercialização de suínos vivos entre Rondônia e Acre, atualmente em torno de 12%. A proposta é reduzir esse percentual para 3% a 4%, seguindo modelo semelhante ao adotado no estado do Mato Grosso.
Parcerias e possibilidade de indústria no estado
O Ministério da Agricultura também deverá atuar como parceiro estratégico no processo. Segundo Luiz Cláudio, a participação do superintendente do Mapa em Rondônia, Ênio Milani, pode contribuir para futuras etapas de certificação sanitária e expansão industrial.
Além da região da Ponta do Abunã, o Cone Sul de Rondônia também aparece como área promissora, pois conta com produtores que já possuem tradição na suinocultura e na produção de grãos.
No médio prazo, a estratégia pode abrir caminho para implantação de um frigorífico em Rondônia, permitindo que o estado avance não apenas na produção, mas também no abate e processamento da carne suína, ampliando as oportunidades de renda para produtores rurais e fortalecendo a economia local.







