O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) realizou, na segunda-feira (27), uma nova etapa do Programa Permanente de Fiscalização da Saúde, inspecionando quatro unidades públicas de Porto Velho: as Policlínicas Ana Adelaide e José Adelino, a UPA da Zona Sul e a Maternidade Mãe Esperança. A ação combinou análise técnica e escuta de usuários e profissionais, com o objetivo de aprimorar o atendimento à população e as condições de trabalho nas unidades.
Durante a vistoria, os auditores avaliaram a oferta de medicamentos, a realização de exames, o estado de equipamentos, a presença de profissionais e a limpeza das instalações. Segundo o TCE-RO, as inspeções evidenciaram avanços significativos, mas também problemas estruturais e de gestão que afetam diretamente o atendimento à população.
Na Maternidade Mãe Esperança, a equipe registrou satisfação dos usuários com o atendimento, mas identificou déficit de profissionais, infiltrações, banheiros deteriorados e climatização precária. A unidade, que está em reforma, opera com capacidade reduzida e enfrenta dificuldades para cobrir plantões noturnos.
Na Policlínica José Adelino, o relatório apontou falta de medicamentos, equipamentos enferrujados ou quebrados e ausência de responsável administrativo. Apesar dos serviços de exames e limpeza estarem regulares, há carência de profissionais e problemas de acessibilidade, como banheiro adaptado sem assento e falta de maca infantil.
Já na UPA da Zona Sul, a principal preocupação foi a ausência de sala de isolamento para pacientes com tuberculose e HIV, o que tem levado à utilização de leitos pediátricos para esses casos. A equipe também registrou falta pontual de insumos e reagentes laboratoriais, embora o atendimento e o tempo de espera sejam considerados satisfatórios.
Na Policlínica Ana Adelaide, o TCE constatou boa avaliação dos pacientes e dedicação dos profissionais, mas verificou falhas na regulação de pacientes, com superlotação e atrasos na transferência para outras unidades. O sistema informatizado da unidade, que zera atendimentos diariamente, também compromete a transparência dos dados e a gestão das filas.
Profissionais de saúde relataram que o acompanhamento do Tribunal tem contribuído para melhorias no atendimento. “Essa parceria é essencial, porque melhora o serviço prestado à população e o nosso trabalho”, afirmou o enfermeiro Welington da Silva.
Usuários também reconheceram o impacto positivo. “Tem de fiscalizar para que haja retorno para a população”, disse o técnico de manutenção Raimundo Nonato Sena.
O secretário-geral adjunto de Controle Externo do TCE-RO, Régis Ximenes, destacou que o objetivo das fiscalizações é promover mudanças concretas. “O Tribunal atua para estar mais próximo da população e garantir um serviço público de qualidade”, declarou.
Os resultados da inspeção serão consolidados em relatórios técnicos com recomendações à gestão municipal de saúde. Segundo o TCE-RO, o foco é transformar os achados em ações práticas que melhorem as condições de atendimento e de trabalho nas unidades da capital. As fiscalizações seguem de forma contínua em todo o estado.




