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Maturidade intelectual e a falta de cognição no debate político em Rondônia

Por Redação
5 de novembro de 2025
Em Opinião
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Foto: Assessoria de Imprensa

Vivemos tempos em que o barulho das paixões políticas tem abafado o som da razão. Em Rondônia, o debate público, que deveria ser um espaço de construção coletiva e racional de soluções, tem se tornado um campo de ataques pessoais, desinformação e superficialidade. Falta maturidade intelectual para discutir os reais problemas que assolam o estado: a precariedade da saúde pública, a deficiência da educação e a crescente insegurança que ameaça a dignidade do cidadão rondoniense.

Aristóteles, há mais de dois milênios, já nos advertia que a sabedoria está na capacidade de ouvir e examinar ideias contrárias com equilíbrio. A mente madura não teme o contraditório; ela o busca como instrumento de crescimento. Contudo, na arena política local, o que se vê é uma disputa rasa de narrativas, em que o conteúdo cede espaço ao espetáculo e a reflexão é substituída pela emoção.

Essa ausência de cognição no debate político é perigosa. Quando o discurso perde profundidade, a população perde referência. A crítica fundamentada é confundida com ofensa, e o diálogo com o adversário é tratado como traição. Assim, os problemas reais, como a falta de médicos nos hospitais, as escolas sucateadas, o transporte precário e o avanço da criminalidade, continuam à margem das discussões. O foco desloca-se da política pública para a política do ódio.

Maturidade intelectual, nesse contexto, não é um luxo filosófico, mas uma necessidade democrática. É ela que permite ao cidadão analisar propostas com discernimento, fiscalizar o poder com responsabilidade e compreender que opiniões divergentes não são inimigas da verdade, mas partes complementares da busca por ela.

Rondônia precisa, urgentemente, resgatar o valor da mente aristotélica, aquela que pensa antes de reagir, que pondera antes de julgar e que reconhece, no diálogo, a via mais segura para o progresso. O estado não carece apenas de infraestrutura; carece de reflexão.

Somente quando aprendermos a debater com equilíbrio e maturidade poderemos construir uma Rondônia mais justa, humana e racional, onde a política volte a ser, como queria Aristóteles, a mais nobre das artes: a arte de buscar o bem comum.

Por Samuel Costa*
*Samuel Costa é rondoniense, professor, advogado e especialista em Ciência Política.

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