Brasil vence o Haiti, encaminha sua classificação na Copa do Mundo de 2026, mas o desempenho da equipe ainda preocupa. A vitória por 3 a 0 foi importante para a tabela, porém expôs novamente uma Seleção que parece distante do futebol dominante esperado de uma das maiores potências da modalidade. Afinal, resultados bastam quando o objetivo é conquistar o título mundial?
Os três pontos conquistados pela equipe de Carlo Ancelotti trazem tranquilidade para a sequência da fase de grupos, mas não eliminam as dúvidas surgidas desde a estreia. Contra um adversário tecnicamente inferior, o Brasil teve superioridade no placar, mas esteve longe de apresentar um futebol convincente.
Mais uma vez, Vinícius Júnior assumiu o protagonismo. O camisa 7 participou diretamente dos três gols e confirmou ser a principal referência ofensiva da equipe. Matheus Cunha também aproveitou a oportunidade e mostrou que pode ser uma alternativa importante no ataque.
Apesar disso, a dependência das individualidades chama atenção. Em diversos momentos, faltaram criatividade, intensidade e movimentação coletiva. O Brasil conseguiu abrir vantagem cedo, mas reduziu o ritmo e passou a administrar a partida sem demonstrar maior ambição ofensiva.
Esse comportamento pode não representar grandes riscos contra seleções menos qualificadas, mas tende a cobrar um preço elevado nas fases eliminatórias. Em Copas do Mundo, a margem para erros é mínima e o desempenho costuma ser tão importante quanto os resultados.
Carlo Ancelotti ainda parece buscar a melhor formação e o equilíbrio entre os setores. As mudanças feitas nas primeiras partidas indicam que o treinador segue em fase de ajustes, algo natural, mas que precisa ser resolvido rapidamente.
Outro aspecto relevante é que o futebol mundial vive um período de maior equilíbrio. As diferenças técnicas diminuíram e a organização coletiva passou a ser decisiva. O peso da camisa continua importante, mas não é suficiente para garantir vitórias.
A classificação está bem encaminhada, e isso deve ser valorizado. No entanto, a torcida brasileira tem motivos para exigir mais. A história da Seleção é construída por títulos, mas também por atuações que marcaram gerações e encantaram o mundo.
Há tempo para evolução, e jogadores talentosos não faltam. O desafio de Ancelotti será transformar qualidade individual em um sistema coletivo mais eficiente, capaz de enfrentar adversários mais fortes e variados.
Brasil vence o Haiti e dá mais um passo rumo às oitavas de final, mas a Copa do Mundo costuma separar equipes apenas vencedoras daquelas realmente preparadas para serem campeãs. Até aqui, os resultados aparecem. O futebol, porém, ainda continua em construção.
Por Josimar Santos*
*O autor é editor do Rondônia Press.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Rondônia Press.
