Rondônia realiza cirurgias de hanseníase pelo SUS e é atualmente o único estado da região Norte a disponibilizar esse tipo de procedimento na rede pública. O atendimento cirúrgico é feito no Hospital de Retaguarda de Rondônia, enquanto o acompanhamento especializado ocorre na Policlínica Oswaldo Cruz (POC), garantindo continuidade ao tratamento dos pacientes.
O serviço está em funcionamento desde 2019 e já contabiliza 3.059 procedimentos de neurólise relacionados à hanseníase. A técnica é utilizada para aliviar a compressão dos nervos atingidos pela doença, podendo contribuir para reduzir dores e recuperar parte da funcionalidade comprometida.
Tratamento especializado amplia assistência
A hanseníase é uma infecção crônica provocada pela bactéria Mycobacterium leprae, também chamada de bacilo de Hansen. A doença afeta principalmente a pele e os nervos periféricos e pode evoluir para dores, perda de sensibilidade, fraqueza muscular e limitações físicas quando não é identificada e tratada adequadamente.
Em Rondônia, o atendimento é estruturado para acompanhar o paciente desde a avaliação inicial até os casos que necessitam de intervenção cirúrgica.
O cirurgião ortopedista especializado em hanseníase, Dr. Felipe Casseb, explica que o procedimento pode representar uma mudança significativa na rotina de pessoas que convivem com dores provocadas pela doença.
“Muitos ainda não conhecem a existência desse tratamento e convivem durante muito tempo com dores que, em alguns casos, são bastante limitantes. Já acompanhei casos de pessoas que não sabiam mais o que era dormir bem por causa da dor constante”.
A moradora de Pimenta Bueno, Rosane Petry, passou por cirurgia no Hospital de Retaguarda e relata que o tratamento trouxe perspectivas de retomar atividades que antes eram prejudicadas pela dor.
“Antes eu não podia fazer academia nem participar das atividades do trabalho. Só vivia com dor, muita dor. Mas, graças a Deus, agora vou poder fazer tudo o que quero”.
Serviço também é reconhecido pelo Ministério da Saúde
A atuação de Rondônia no tratamento cirúrgico da hanseníase também resultou em um convite do Ministério da Saúde para uma capacitação destinada a equipes médicas de Angola.
A atividade está prevista para outubro deste ano. A organização e o alinhamento da capacitação ficarão sob responsabilidade do Ministério da Saúde.
Além da realização das cirurgias, o estado mantém acompanhamento clínico multidisciplinar para os pacientes, fortalecendo a assistência especializada oferecida pela rede pública.
Conheça os principais sintomas
Os sinais da hanseníase podem aparecer de maneira gradual e nem sempre são percebidos logo no início. Entre as manifestações que merecem atenção estão:
- Manchas na pele, que podem apresentar coloração esbranquiçada, avermelhada ou acastanhada;
- Perda ou redução da sensibilidade ao calor, frio, toque ou dor;
- Alterações na pele, como ressecamento, redução de pelos nas sobrancelhas e diminuição ou ausência de suor;
- Nódulos ou caroços que podem surgir pelo corpo, acompanhados ou não de vermelhidão e dor.
A identificação precoce é importante porque o comprometimento dos nervos periféricos pode provocar consequências mais graves e limitações funcionais.
Onde procurar atendimento
Pessoas que apresentarem sinais ou sintomas suspeitos devem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município. Após a avaliação, os pacientes que necessitarem de acompanhamento especializado podem ser encaminhados para a Policlínica Oswaldo Cruz.
Na POC, uma equipe multidisciplinar realiza o acompanhamento dos casos. Quando existe indicação de cirurgia, o paciente é encaminhado ao Hospital de Retaguarda de Rondônia para realização do procedimento.
O secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, reforça a importância de procurar atendimento diante de sinais suspeitos ou após o diagnóstico.
“Rondônia conta com um serviço completo e especializado, com profissionais capacitados para oferecer todo o suporte necessário. É fundamental que a população conheça os sintomas e procure atendimento profissional. Muitas pessoas convivem com dores e limitações sem saber que existe tratamento capaz de melhorar sua qualidade de vida”.
A estrutura permite que pacientes com hanseníase tenham acesso gratuito ao acompanhamento especializado e, quando indicado, ao tratamento cirúrgico pela rede pública de saúde.






