AntagonistaRO – Rondônia sofre em silêncio. Nosso povo é guerreiro, trabalhador e acostumado a superar dificuldades. Mas o que mais dói é perceber que a nossa dor se tornou invisível. Enquanto o tempo passa, os discursos se repetem, as promessas são recicladas e o desenvolvimento real continua sendo apenas um sonho distante.
É sempre assim: quando o ano eleitoral se aproxima, todos os políticos “lembram” de Rondônia. Surgem projetos mirabolantes, visitas apressadas, anúncios de obras e promessas de recursos. Falam bonito, tiram fotos, gravam vídeos e se dizem defensores do povo. Nos bastidores, já estão encomendando pesquisas qualitativas e quantitativas, não para compreender nossas dores, mas para descobrir o que dizer e como manipular os mais desavisados.
E o debate que realmente importa? A industrialização, por exemplo, o caminho mais sólido para gerar empregos, renda e arrecadação, segue fora de pauta. É mais fácil repetir chavões e discursos de ocasião do que encarar de frente a necessidade de transformar Rondônia em um polo de produção e inovação sustentável.
Temas urgentes como meio ambiente, sustentabilidade e mudança do clima também só ganham espaço quando há tragédias, enchentes, queimadas, desmatamento recorde. Passada a comoção, tudo volta ao esquecimento. O descaso com a floresta, com os rios e com as populações tradicionais mostra o quanto o discurso verde ainda é superficial em nosso Estado.
Enquanto isso, o populismo segue forte, embalado por frases de efeito e promessas fáceis. O rondoniense, cansado de esperar o básico, saúde de qualidade, segurança, educação digna e infraestrutura mínima — continua sobrevivendo à margem das prioridades nacionais.
Mas Rondônia não precisa de salvadores. Precisa de líderes com visão, coragem e compromisso real com o futuro. Líderes que falem menos e trabalhem mais. Que olhem para a nossa gente com respeito, e não com oportunismo.
A pergunta que ecoa é simples, mas urgente: quem vai ajudar Rondônia? Porque, enquanto os políticos brincam de fazer política, um povo inteiro segue sofrendo invisível, resiliente e cada vez mais descrente.
Ainda assim, há esperança. Rondônia é feita de chão fértil e de rios que nunca param de correr. O mesmo rio Madeira que corta o coração da nossa capital leva consigo a história de um povo que não desiste. Da floresta vem a lição de resistência; da terra, a força de quem planta mesmo sem saber se vai colher. Somos herdeiros de uma natureza grandiosa e de uma coragem silenciosa. Rondônia pode renascer, não das promessas vazias, mas da consciência desperta de seu próprio povo. Que sejamos nós, os filhos desta terra, os primeiros a estender a mão e a mudar o rumo da nossa própria história.
Alguém ajude Rondônia, por favor! não é um apelo, é um alerta. Se continuarmos sendo invisíveis aos olhos do poder, o futuro continuará sendo adiado. E a esperança do nosso povo, mais uma vez, será trocada por promessas de ocasião.
* Por Samuel Costa advogado, professor e especialista em Ciência Política
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Rondônia Press.




