O Ministério Público Federal (MPF), em parceria com a Universidade Federal de Rondônia (Unir), promoveu, em 23 de março, a palestra “Universidade para quê?”. A atividade foi promovida pelo procurador da República e integrante do corpo docente da universidade, Raphael Bevilaqua, e contou com apresentação da pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética, Sinara Gumieri.
Durante a palestra, Sinara abordou questões relacionadas às desigualdades de gênero, especialmente àquelas enfrentadas por mulheres em ambientes de trabalho e nas universidades brasileiras. Entre os temas discutidos, estiveram situações de assédio moral e sexual, violências físicas, ameaças, além de aspectos ligados à saúde e aos direitos sexuais.
A pesquisadora também propôs reflexões sobre a reprodução de comportamentos discriminatórios na sociedade. Segundo ela, é comum que pessoas reproduzam atitudes preconceituosas mesmo tendo sido alvo dessas práticas em algum momento da vida, uma vez que muitos desses comportamentos são socialmente aprendidos e naturalizados. Nesse contexto, destacou que reconhecer e modificar tais atitudes exige um processo contínuo de desconstrução.
Sinara também ressaltou a importância da denúncia e da busca por justiça por meio dos canais legais. De acordo com a pesquisadora, a coleta de provas e a insistência na responsabilização são medidas que contribuem para evitar a naturalização e a normalização da violência de gênero em diferentes instituições.
“É preciso tentar pensar quais são essas brechinhas que a gente tem no dia a dia para não naturalizar a violência, a discriminação, a injustiça nos espaços que a gente habita. Isso é muito difícil de fazer, mas é a minha grande esperança com oportunidades como essa. Provocar para a gente aprender a fazer isso juntos”, afirmou Sinara ao comentar o objetivo da palestra.
Ao final do encontro, os estudantes tiveram a oportunidade de compartilhar experiências e relatar situações vivenciadas, em um momento de escuta conduzido pela palestrante.




