Porto Velho passou a contar com um planejamento estratégico de longo prazo para orientar o desenvolvimento do município até 2050. O Plano de Ação Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável do Município de Porto Velho (PAEDS) reúne diretrizes e projetos voltados ao crescimento econômico, inclusão social, inovação, sustentabilidade e organização territorial.
Elaborado pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Executiva de Planejamento (Seplan) da Secretaria Municipal de Economia (Semec), em parceria com a Fundação da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR), o plano parte de um diagnóstico das potencialidades e dos desafios locais para estabelecer estratégias que possam subsidiar políticas públicas nas próximas décadas.
Plano foi construído com participação de diferentes setores
A elaboração do PAEDS foi organizada em quatro etapas: instalação e definição do plano de trabalho, diagnóstico, formulação estratégica e institucionalização e governança. O processo envolveu levantamento de dados, reuniões técnicas e participação de representantes do poder público, setor produtivo, instituições e sociedade civil.
Durante a fase de diagnóstico, foram promovidos 10 workshops virtuais setoriais e encontros presenciais sobre temas como saúde, indústria e agropecuária. A construção do documento também contou com visitas técnicas aos distritos, audiência pública e seminário de planejamento.
Ao final, foram produzidos e validados 13 produtos, realizadas três visitas técnicas, 16 workshops, dois grandes eventos públicos e mais de 30 reuniões técnicas com secretarias municipais.
A análise utilizou a matriz SWOT, ferramenta empregada para identificar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. O levantamento serviu de base para a elaboração de cenários e para a definição das prioridades estratégicas do município.
Cinco projetos estruturam a estratégia para 2050
O PAEDS apresenta uma carteira com cinco projetos considerados estruturantes para o desenvolvimento de Porto Velho. As propostas abrangem logística, organização territorial, produção rural, recursos hídricos e inovação tecnológica.
O Plano Diretor de Integração Logística e Industrial (PDILI) pretende aproveitar a localização estratégica de Porto Velho para fortalecer a infraestrutura de transporte e criar condições favoráveis ao desenvolvimento industrial.
Outra frente envolve as Administrações Regionais, Planos de Estruturação Distrital e Ordenamento Territorial, com foco na descentralização administrativa, na integração entre a sede e os distritos e na organização da ocupação do território.
O projeto de Desenvolvimento Agropecuário Diversificado e Sustentável reúne ações destinadas ao fortalecimento da produção rural, à diversificação das atividades, ao uso responsável dos recursos naturais e à expansão de iniciativas ligadas à bioeconomia.
Já o Caminho das Águas propõe integrar o planejamento territorial à gestão dos recursos hídricos, incluindo medidas para reduzir alagamentos, recuperar e despoluir igarapés e revitalizar áreas verdes.
O quinto projeto, denominado Porto Digital Amazônico, está relacionado à Política Municipal de Inovação e busca ampliar a participação de Porto Velho em setores como tecnologia, pesquisa, conhecimento, inovação e economia criativa.
Governança busca garantir continuidade das ações
Além da definição dos projetos, o plano prevê mecanismos para acompanhar a execução das estratégias ao longo dos anos. A proposta é evitar que as diretrizes estabelecidas fiquem vinculadas exclusivamente a uma administração municipal.
Entre as recomendações está a criação de uma comissão permanente para monitorar a implementação do PAEDS e avaliar os resultados alcançados. O documento também propõe que os projetos estratégicos sejam incorporados aos instrumentos oficiais de planejamento e orçamento, como o Plano Plurianual (PPA) e as Leis Orçamentárias Anuais (LOAs).
O modelo ainda prevê ações de comunicação e articulação institucional para ampliar a participação de parceiros. Governo do Estado, entidades empresariais, instituições de ensino e pesquisa, FIERO e Sebrae estão entre os possíveis integrantes dessa rede de cooperação.
A intenção é ampliar a capacidade de articulação entre diferentes setores e transformar as potencialidades econômicas, sociais e ambientais de Porto Velho em iniciativas permanentes de desenvolvimento.
Sustentabilidade e inovação orientam visão de futuro
O PAEDS estabelece uma perspectiva de futuro baseada em três eixos transversais: sustentabilidade, inovação e inclusão social. Com horizonte até 2050, o planejamento procura relacionar as decisões tomadas atualmente aos objetivos estabelecidos para as próximas décadas.
A estratégia considera a necessidade de integrar áreas como infraestrutura, produção, tecnologia, gestão territorial e recursos naturais para alcançar resultados de longo prazo.
Para a secretária executiva de Planejamento da Semec, Larissa Ananda, a elaboração do plano representa uma etapa importante para incorporar as estratégias de desenvolvimento ao planejamento municipal.
“O PAEDS estabelece uma agenda estratégica para orientar o desenvolvimento de Porto Velho até 2050. Agora, o desafio é garantir que essas estratégias sejam institucionalizadas, integradas ao planejamento e ao orçamento público e acompanhadas de forma contínua. Dessa forma, conseguimos transformar a visão de futuro definida pelo plano em ações concretas e resultados para a população”, afirmou.
O prefeito Léo Moraes destacou que o planejamento de longo prazo precisa estar associado à solução dos problemas atuais e à preparação do município para os próximos anos.
“Porto Velho precisa pensar no futuro sem deixar de enfrentar os desafios do presente. O PAEDS representa um passo importante para planejar o desenvolvimento do município com responsabilidade, inovação e sustentabilidade. Queremos construir uma cidade mais preparada para as próximas décadas, com oportunidades para a população, fortalecimento da economia e melhoria da qualidade de vida”, declarou.











