O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), em Porto Velho, orienta e acolhe mulheres que vivenciam diferentes formas de violência, incluindo agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais. O serviço, vinculado à Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), integra a rede de proteção e oferece atendimento especializado mesmo quando a vítima ainda não registrou ocorrência ou não decidiu quais medidas pretende tomar.
Violência pode ocorrer de diferentes maneiras
A identificação dos sinais de violência é considerada uma etapa importante para interromper situações de abuso. Além das agressões físicas, comportamentos como ameaças, humilhações, perseguições, isolamento e controle financeiro também podem comprometer a liberdade e a autonomia das mulheres.
A violência física inclui ações que provoquem danos à integridade ou à saúde corporal, como empurrões, tapas, socos, chutes, queimaduras e estrangulamento.
Já a violência psicológica pode aparecer por meio de ameaças, chantagens, insultos, manipulação e isolamento de familiares e amigos. O controle sobre roupas, amizades, deslocamentos e redes sociais também pode fazer parte desse tipo de violência.
Segundo a Prefeitura, essas situações podem se desenvolver de maneira gradual e, em alguns casos, ser confundidas com ciúme, cuidado ou preocupação.
Violência sexual e patrimonial também exigem atenção
A violência sexual ocorre quando a mulher é constrangida a presenciar ou participar de uma prática sexual sem consentimento, mediante ameaça, intimidação, coação ou força.
Também são consideradas situações de violência sexual aquelas em que a mulher é impedida de utilizar métodos contraceptivos ou sofre imposição para engravidar, abortar ou adotar determinado método de contracepção contra sua vontade.
A violência patrimonial, por sua vez, envolve a retenção, subtração, destruição ou controle de bens, documentos, dinheiro e outros recursos econômicos. Impedir o acesso ao próprio dinheiro, destruir documentos ou danificar objetos pessoais são exemplos de condutas que podem caracterizar essa forma de violência.
A violência moral está relacionada a ações que atingem a honra e a reputação da mulher, como calúnia, difamação e injúria, além de ofensas, acusações falsas e exposição vexatória.
Cram oferece atendimento individualizado
O Cram realiza escuta qualificada e atendimento individualizado, sem julgamentos. A equipe identifica as necessidades apresentadas, orienta sobre direitos e serviços disponíveis e, quando necessário, encaminha a mulher para outros integrantes da rede de proteção.
O serviço pode ser procurado mesmo que a mulher ainda não tenha feito um registro policial ou não saiba quais providências deseja tomar.
Para o prefeito Léo Moraes, ampliar o acesso à informação e aos serviços especializados é importante para que as mulheres consigam reconhecer situações de violência e buscar proteção.
“Precisamos falar sobre todas as formas de violência contra a mulher e deixar claro que nenhuma delas deve ser naturalizada. Informação, acolhimento e uma rede preparada para atender são fundamentais para que as mulheres tenham segurança para romper ciclos de violência e reconstruir suas vidas com dignidade e autonomia”, afirmou.
O secretário municipal de Inclusão e Assistência Social, Paulo Afonso, também destacou a importância de reconhecer comportamentos abusivos antes que a situação evolua.
“A violência contra a mulher não começa necessariamente com uma agressão física. Muitas vezes, ela começa pelo controle, pela humilhação, pela ameaça e pelo isolamento. Por isso, informação e acolhimento são fundamentais. O Cram está preparado para ouvir, orientar e encaminhar as mulheres para a rede de proteção”, declarou.
Atendimento pode incluir encaminhamento para outros serviços
A coordenadora do Cram, Sandra Braids, explicou que algumas mulheres chegam ao serviço sem reconhecer que determinadas situações vivenciadas dentro de seus relacionamentos podem configurar violência.
“Muitas mulheres chegam ao Cram sem identificar como violência aquilo que estão vivendo. Às vezes, não houve agressão física, mas existe controle do dinheiro, isolamento, ameaça, humilhação, perseguição ou medo. Nosso trabalho também passa por ajudá-las a reconhecer essas situações, compreender seus direitos e construir, junto com a equipe, caminhos possíveis para romper esse ciclo com segurança”, afirmou.
Quando necessário, o Cram realiza encaminhamentos para serviços das áreas de assistência social, saúde, segurança pública e Justiça, de acordo com as necessidades apresentadas por cada mulher.
A Prefeitura reforça que nenhuma forma de violência deve ser tratada como normal e orienta que mulheres em situação de violência procurem apoio e compartilhem a situação com pessoas de confiança ou serviços especializados.
Onde buscar atendimento
O Cram de Porto Velho está localizado na Rua Geraldo Ferreira, nº 2166, bairro Agenor de Carvalho. O telefone para contato é (69) 98473-5966.
Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Também está disponível o Ligue 180, serviço nacional gratuito destinado à orientação sobre direitos e serviços e ao registro e encaminhamento de denúncias relacionadas à violência contra a mulher.
Reconhecer os sinais de violência e buscar orientação pode contribuir para interromper situações de abuso e fortalecer a segurança e a autonomia das mulheres.






