Porto Velho, Rondônia (RO)
16/10/2026
Rondônia Press
  • Política
  • Justiça
  • Opinião
  • Esporte
  • Geral
  • Economia
  • Meio Ambiente
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Rondônia Press
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Home Justiça

MPF consegue decisão judicial para barrar uso ilegal de mercúrio e cianeto em garimpos de ouro

ANM e Sedam/RO devem verificar método de beneficiamento e suspender atividade de quem não comprovar origem e uso regular das substâncias tóxicas

Por ASCOM
27/08/2026
Em Justiça
Foto: Ibama

Foto: Ibama

O Ministério Público Federal (MPF) obteve decisão liminar da Justiça Federal para combater o uso ilegal de mercúrio metálico e de cianeto na extração de ouro. Em ação civil pública movida pelo MPF, a 5ª Vara Federal Ambiental e Agrária de Rondônia determinou à Agência Nacional de Mineração (ANM) e à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam/RO) que verifiquem a regularidade da origem e do uso das substâncias tóxicas nos requerimentos de outorga minerária e licenciamento ambiental.

A medida vale para novos requerimentos de mineração de ouro, além de pedidos para renovação, prorrogação ou alteração. Quando houver previsão de utilização de mercúrio, o procedimento administrativo deverá considerar a comprovação da regularidade da substância perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a compatibilidade da utilização declarada com as condicionantes e demais exigências ambientais aplicáveis.

A ANM deve ajustar seus procedimentos para outorga minerária, com abrangência nacional, além de revisar títulos minerários nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, que integram a Amazônia Ocidental. Já a Sedam deve ajustar seus procedimentos e revisar licenças no âmbito do estado de Rondônia. Pela ordem judicial, o garimpeiro, a cooperativa ou a empresa que, depois de notificado, não comprovar a regularidade da origem e do uso das substâncias poderá ter o título minerário ou a licença ambiental suspensos.

A ação foi proposta pelo MPF após as investigações do 2º Ofício da Amazônia Ocidental – especializado no enfrentamento à mineração ilegal – revelarem um grave paradoxo ecológico. A Sedam vinha concedendo licenças de operação sem sequer exigir que os mineradores detalhassem como faziam a separação do ouro. O órgão estadual acabou por autorizar atividades que utilizam mercúrio metálico. Ocorre que o Ibama confirmou que não existe nenhuma autorização federal ativa para venda ou uso de mercúrio na atividade de mineração no país.

Riscos à saúde e ao meio ambiente – A atuação do MPF visa proteger a Floresta Amazônica e a saúde de populações vulneráveis, como os povos tradicionais e indígenas. Como signatário da Convenção de Minamata, o Brasil assumiu o compromisso internacional de controlar, reduzir e eliminar o uso de mercúrio metálico, que é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das substâncias químicas mais perigosas para o ser humano. Quando jogado no meio ambiente, ele se acumula de forma irreversível nos rios e contamina os peixes, que são a base da alimentação local.

Na ação, o MPF destacou um estudo de 2019 que identificou a presença de mercúrio no organismo de 56% das mulheres e crianças da comunidade Yanomami de Maturacá, no Amazonas. A exposição crônica ao metal ataca diretamente o sistema neurológico, gerando problemas motores e cognitivos graves.

A decisão judicial afastou a tese do Sindicato dos Garimpeiros do Estado de Rondônia (Singro) de que a alta eficiência declarada de equipamentos como retortas (alegadamente 99,99%) dispensaria a fiscalização estrita da substância. O juízo salientou que laudos técnicos e informações da Polícia Federal (PF) indicam a ocorrência de perdas, emissões atmosféricas e até mesmo queimadas a céu aberto sem sistemas de contenção, reforçando a necessidade de verificação individualizada e de mecanismos de rastreabilidade.

Origem ilegal – Além dos danos à saúde, a apuração do MPF demonstrou que o mercúrio usado nos garimpos da região tem origem estrangeira e é importado ilegalmente. “Todo o mercúrio usado no garimpo brasileiro entrou no país por via clandestina. O Brasil não produz a substância e não há autorização federal em vigor para importá-la ou comercializá-la com destino à mineração. A partir de agora, com a decisão da Justiça, quem autoriza precisa saber qual é o método de beneficiamento, qual substância é usada e de onde ela veio”, disse o procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, autor da ação.

Investigações policiais mostraram que contrabandistas bolivianos vendem o metal facilmente e o enviam ao Brasil em garrafas PET, cruzando o rio Mamoré em pequenas embarcações até Porto Velho. Também foram identificadas rotas pelo Peru e pela Guiana. Para o MPF, o Estado não pode conferir uma “roupagem de legalidade” para garimpos que operam com insumos vindos de rotas do tráfico internacional.

Procedimentos e prazos – Diante do alerta, a Justiça Federal aceitou os argumentos do MPF e estabeleceu regras e prazos bem claros. A Sedam tem três meses para apresentar um plano e começar a reexaminar todas as licenças estaduais de exploração de ouro em Rondônia – estado que concentra 98 dos 129 títulos de extração de ouro da região.

Já a ANM terá que fazer uma varredura em processos ativos e pendentes de lavra garimpeira nos estados da Amazônia Ocidental. Os titulares de áreas que utilizem mercúrio serão notificados individualmente e terão um prazo para demonstrar a regularidade de seus estoques.

Nos dois casos, os órgãos deverão seguir um Plano de Ação apresentado pela ANM, que inclui a identificação dos títulos, a análise dos métodos de beneficiamento, a notificação individualizada dos titulares, a exigência de comprovação da regularidade do uso do mercúrio e a adoção das providências administrativas cabíveis.

As cooperativas terão de informar quanto compraram, quanto mantêm em estoque, onde armazenam, quem responde pela guarda, quanto distribuíram a cada cooperado e quais foram as perdas no processo.

A decisão também deixa claro que não autoriza, regula ou legitima a exploração mineral em Terras Indígenas.

Para além de barrar as atividades irregulares, o MPF segue cobrando na Justiça a condenação solidária dos réus ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, valor que será destinado à reparação dos direitos difusos da sociedade. Ainda cabe recurso contra a decisão.

Ação civil pública nº 1008771-90.2026.4.01.4100

Consulta processual

EnviarCompartilharCompartilhar
Postagem anterior

Porto Velho amplia acesso a serviços gratuitos de saúde, assistência e mobilidade

Próxima postagem

Hildon vai mudar leis que punem produtores de leite em Rondônia

Conteúdo Relacionado

Foto: GCI / MPRO

MPRO reúne comércio para deliberar ações de prevenção e repressão a furtos e roubos no centro de Porto Velho

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) reuniu-se na Escola Superior do Ministério Público do Estado...

Foto: GCI / MPRO

MPRO obtém condenação de 21 réus na Operação Escudo de Rondônia

A decisão soma-se a outras já proferidas em ações penais relacionadas à onda de ataques...

Foto: GCI / MPRO

Operação “Ganatum II” combate esquema de sonegação de ICMS no setor pecuário em Rondônia e Mato Grosso

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Rondônia (CIRA/RO) deflagrou, nesta quinta-feira (10/9), a...

Foto: GCI / MPRO

MPRO aproxima academia e sistema de Justiça com 5º Concurso de Júri Simulado em Porto Velho

Instituição promoveu o 5º Concurso de Júri Simulado, com estudantes de direito atuando em bancas...

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Concessionária de energia em Rondônia é condenada a indenizar cliente por oscilação na rede elétrica

Decisão colegiada dos julgadores da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça...

Foto: Ascom / TJRO

Presidente e Corregedor-Geral do TJRO recebem visita institucional do Ministro do STJ Rogério Schietti Cruz

O ministro esteve na capital para palestrar no Congresso Internacional Penal promovido por Emeron e...

Foto: Ascom / TJRO

TJRO e FIERO promovem encontro sobre desenvolvimento sustentável e enfrentamento à ilegalidade na Amazônia

O Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO), em parceria com a Federação das...

Foto: GCI / MPRO

MPRO recebe encontro com representante do Instituto Maria da Penha para fortalecer ações de prevenção à violência contra a mulher em Porto Velho

A cofundadora do instituto, Conceição de Maria, ministrou uma palestra sobre os 20 anos da...

Foto: Comunicação / MPF

MP Eleitoral recomenda a partidos políticos que não façam propaganda eleitoral em eventos festivos de Rondônia

Órgão orienta legendas e pré-candidatos a evitarem promoção pessoal e distribuição de bens em cavalgadas,...

Foto: Ascom / MPFRO

Após recomendação do MPF, Caixa garante acesso de pessoas com qualquer tipo de bengala nas agências em Rondônia

Banco orientou todas as agências no estado e reforçou procedimentos com vigilantes para permitir uso...

Rondônia Press

Rondônia Press é um portal de notícias com sede em Porto Velho, dedicado à cobertura de política, justiça, economia, esporte, meio ambiente e assuntos gerais, com informação, análise e opinião sobre os fatos que impactam Rondônia e o Brasil.

  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Expediente

© 2026 | Todos os direitos reservados

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Política
  • Justiça
  • Opinião
  • Esporte
  • Geral
  • Economia
  • Meio Ambiente

© 2026 | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies. Ao continuar usando este site, você está consentindo com o uso de cookies. Consulte nossa Política de Privacidade e Cookies.