Porto Velho, Rondônia (RO)
24/08/2026
Rondônia Press
  • Política
  • Justiça
  • Opinião
  • Esporte
  • Geral
  • Economia
  • Meio Ambiente
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Rondônia Press
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Home Justiça

Justiça recebe denúncia do MPRO contra 22 investigados na Operação Basalto

Investigação apurou por mais de quatro anos suspeitas de desvio de materiais e uso de máquinas da Prefeitura de Porto Velho

Por Redação
24/08/2026
Em Justiça
Foto: GCI / MPRO

Foto: GCI / MPRO

A Justiça recebeu, em 12 de agosto de 2026, a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO) contra 22 pessoas investigadas na Operação Basalto, que apurou suspeitas de desvio de materiais de construção e horas de utilização de máquinas da Secretaria Municipal de Obras de Porto Velho (Semob). Na mesma decisão, o Judiciário autorizou o compartilhamento das provas com a Promotoria de Justiça responsável pela defesa do patrimônio público.

A medida permite o prosseguimento da ação penal contra os denunciados e também poderá subsidiar uma futura ação na área cível para apurar eventual ocorrência de atos de improbidade administrativa.

Investigação começou após denúncia anônima

A Operação Basalto foi deflagrada em novembro de 2021, depois que uma denúncia anônima levou a Polícia Civil a iniciar diligências em julho daquele ano.

Segundo os elementos reunidos durante a investigação, os primeiros acompanhamentos identificaram veículos da Prefeitura transportando brita para endereços particulares que não estariam relacionados a obras públicas. Em 30 de julho de 2021, policiais registraram imagens de um caminhão da frota municipal descarregando o material em um estabelecimento comercial.

A apuração se estendeu por mais de quatro anos e envolveu servidores públicos e pessoas particulares.

Ao todo, o Ministério Público analisou a situação de 91 investigados. Desse grupo, 22 foram denunciados criminalmente, enquanto outros 17 tiveram propostas de acordos de não persecução penal encaminhadas à Justiça. Esses acordos envolvem, em geral, pessoas apontadas como tendo participação de menor relevância nos fatos e ainda precisam ser analisados e homologados pelo Judiciário.

Para 49 investigados, o MPRO solicitou o arquivamento dos casos após avaliar individualmente as provas. Entre os fundamentos apresentados estão insuficiência de elementos, inexistência de crime, prescrição e ausência de participação relevante.

Outras três situações foram encaminhadas para providências nas áreas criminal ou cível.

Investigação aponta divisão de funções

Conforme as provas reunidas pelo Ministério Público, o suposto esquema teria funcionado a partir de cinco grupos com atribuições distintas.

Um deles seria responsável pelo comando e pela definição das cargas que seriam desviadas, dos destinatários e da divisão dos valores. Outro núcleo teria atuado diretamente na operação, transmitindo orientações aos motoristas, coordenando os desvios e negociando com compradores.

A investigação também identificou um grupo encarregado da documentação. Segundo o MPRO, guias e ordens de tráfego teriam sido emitidas com destinos relacionados oficialmente a obras públicas, enquanto os materiais seriam encaminhados, na prática, para endereços particulares.

Motoristas e operadores de máquinas formariam outro núcleo apontado na apuração. Eles seriam responsáveis pelo transporte e pela execução das entregas. O quinto grupo reuniria os particulares que receberiam os materiais, incluindo depósitos, estabelecimentos comerciais e revendedores.

De acordo com a investigação, parte dos produtos teria sido comercializada ou adquirida por valores inferiores aos praticados no mercado.

Itens investigados

Entre os materiais que teriam sido desviados estão brita, pedrisco, cascalho, areia e rip-rap. A apuração também identificou suspeitas relacionadas ao aproveitamento de materiais retirados de áreas de descarte e à utilização de máquinas pertencentes à Prefeitura de Porto Velho.

Durante o levantamento, o Ministério Público utilizou como referência o valor de R$ 900 para uma caçamba com capacidade de 12 metros cúbicos de brita ou pedrisco. A partir dos registros obtidos, foram calculados os prejuízos estimados ao patrimônio público conforme cada modalidade de desvio investigada.

Operação reuniu interceptações e buscas

Para reunir os elementos utilizados na denúncia, a investigação contou com interceptações telefônicas e de mensagens, além de buscas e apreensões realizadas em 20 locais e na sede da Semob.

Também foram analisados aparelhos eletrônicos e colhidos depoimentos de 62 testemunhas. Em 2025, novas diligências foram realizadas, incluindo a reinquirição de 12 pessoas.

Após decisão judicial proferida em 27 de julho de 2026, o MPRO apresentou uma complementação da denúncia, consolidando as informações relacionadas aos 22 denunciados.

O documento foi posteriormente recebido pela Justiça em 12 de agosto, quando também foi autorizado o compartilhamento dos elementos de prova com a Promotoria de Justiça que atua na defesa do patrimônio público.

Processo entra na fase de apresentação das defesas

Com o recebimento da denúncia, os 22 acusados deverão ser citados para apresentar suas respectivas defesas. Na sequência, o Judiciário poderá avaliar o andamento da instrução processual e determinar a realização de audiência para ouvir testemunhas e os acusados.

Após essa fase, as partes poderão apresentar suas alegações e o processo seguirá para julgamento, quando caberá ao Judiciário decidir sobre a responsabilidade dos denunciados.

Na esfera cível, a Promotoria de Justiça de defesa do patrimônio público poderá utilizar as provas compartilhadas para avaliar o ajuizamento de uma ação civil pública relacionada a possíveis atos de improbidade administrativa.

O recebimento da denúncia representa o início da ação penal e não significa, por si só, condenação dos denunciados, que terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.

EnviarCompartilharCompartilhar
Postagem anterior

Teste de HPV chega à zona rural de Porto Velho para ampliar prevenção ao câncer do colo do útero

Próxima postagem

Marcos Rogério propõe Estado mais ágil para dar segurança a quem produz

Conteúdo Relacionado

Foto: Ascom / MPFRO

MPF recorre ao TRF1 para aumentar pena de condenado por transporte ilegal de 38 quilos de mercúrio em Rondônia

Substância tóxica de origem boliviana era transportada em ônibus de passageiros na BR-364, expondo viajantes...

Foto: GCI / MPRO

MPRO debate interferência do crime organizado no processo eleitoral em evento nacional

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) participou, nesta sexta-feira (14/8), do evento “Ouvidoria, eleições e...

Foto: Ascom / TJRO

TJRO é destaque em boletim do CNJ por ações de fortalecimento de vínculos com estudantes em Rondônia

Iniciativa “Diálogos com as Juventudes” promoveu debates sobre equidade étnico-racial e cidadania digital em escolas...

Foto: Ascom / MPRO

MPRO denuncia dentista que teria contaminado intencionalmente mulheres pelo vírus HIV

NAVIT divulga canal para atendimento de possíveis outras vítimas e continuidade das investigações

Foto: Ascom / MPFRO

Recomendação do MPF garante providências para facilitar acesso ao passe livre digital em Rondônia

ANTT e Secretaria de Saúde anunciaram medidas para permitir obtenção do benefício, que é assegurado...

Rondônia Press

Rondônia Press é um portal de notícias com sede em Porto Velho, dedicado à cobertura de política, justiça, economia, esporte, meio ambiente e assuntos gerais, com informação, análise e opinião sobre os fatos que impactam Rondônia e o Brasil.

  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Expediente

© 2026 | Todos os direitos reservados

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Política
  • Justiça
  • Opinião
  • Esporte
  • Geral
  • Economia
  • Meio Ambiente

© 2026 | Todos os direitos reservados