A fumaça proveniente de incêndios florestais no Amazonas chegou a Porto Velho e compromete a qualidade do ar na capital de Rondônia. De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos que atuam na região transportam os poluentes até o estado. Diante do cenário, a Prefeitura orienta os moradores a reforçar os cuidados com a saúde, especialmente durante o período de seca e baixa umidade.
A plataforma IQAir, que monitora a poluição atmosférica em diferentes países, registrou índice de qualidade do ar de 120 em Porto Velho, classificação considerada prejudicial para grupos sensíveis. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os públicos que precisam de atenção redobrada.
Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também indicam a presença de fumaça na região, com deslocamento em direção a municípios vizinhos, incluindo a capital rondoniense. A estiagem e as condições do Rio Madeira contribuem para agravar o cenário ambiental.
Amazonas registra aumento de focos de incêndio
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro. O número representa um aumento de 271% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A presença da fumaça em Porto Velho reforça a preocupação com os efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde da população. A exposição pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre pessoas que já apresentam doenças crônicas.
Por isso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) recomenda aumentar a ingestão de água, evitar a exposição desnecessária à fumaça e utilizar máscaras de proteção quando necessário, sobretudo por pessoas mais vulneráveis. Outra medida indicada é umidificar os ambientes internos com toalhas úmidas ou recipientes com água.
A orientação também inclui evitar qualquer tipo de queimada, prática que pode agravar a poluição e aumentar o risco de novos incêndios.
Prefeitura orienta moradores e pede colaboração
O prefeito Léo Moraes ressaltou que a prevenção e a participação dos moradores são importantes para reduzir os impactos das queimadas e proteger a saúde pública.
“Precisamos da colaboração de todos para enfrentar esse cenário. Mesmo quando a fumaça vem de outras regiões, podemos fazer a nossa parte, evitando queimadas, denunciando focos de incêndio e adotando cuidados para proteger a saúde, principalmente das crianças, dos idosos e das pessoas mais vulneráveis”, afirmou.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Borin, também pediu que a população evite práticas que possam provocar incêndios e comunique às autoridades situações de risco.
“A fumaça que chegou à nossa cidade vem de incêndios em outros estados, mas aqui também temos um papel a cumprir. Pedimos que as pessoas evitem qualquer tipo de queimada, redobrem os cuidados com a saúde, especialmente com crianças e idosos, e denunciem focos de incêndio. Com o apoio de todos, vamos reduzir os impactos e proteger nossa cidade”, declarou.
Denúncias sobre queimadas, descarte irregular de resíduos e outras práticas que possam provocar incêndios podem ser encaminhadas pelo WhatsApp (69) 98423-4092. Também é possível procurar presencialmente a Sema, na rua General Osório, nº 81, região central, das 8h às 14h.
Porto Velho registra queda nos focos de incêndio
Apesar da fumaça que atinge a capital, os registros locais de focos de incêndio diminuíram em comparação com o ano passado. Entre janeiro e o início de outubro de 2025, Porto Velho contabilizou 1.013 ocorrências. No mesmo período de 2026, foram 680 registros, uma redução de 32,8%, conforme os dados apresentados pela administração municipal.
No comparativo entre 2024 e 2025, a poluição atmosférica na capital também apresentou queda de 60%, segundo informações do Inpe por meio do Programa Queimadas.
Em 2024, a estiagem intensa associada a eventos climáticos, incluindo o El Niño, contribuiu para aumentar o risco de incêndios. Naquele período, a fumaça afetou a qualidade do ar, prejudicou o meio ambiente e a navegação no Rio Madeira e esteve associada a problemas respiratórios entre moradores.
Para enfrentar o problema, a Prefeitura informa que mantém ações de fiscalização, campanhas de conscientização, vistorias e medidas de apoio ao combate a incêndios, além do monitoramento dos focos de calor.
Mesmo com a redução dos registros locais, a fumaça transportada de outras áreas da Amazônia demonstra que a qualidade do ar em Porto Velho também depende das condições ambientais de regiões vizinhas. A administração municipal afirma que continuará acompanhando a situação e reforça o pedido para que a população evite queimadas e siga as recomendações de proteção à saúde.






